Não só dos grandes projetos do pré-sal vive o upstream brasileiro. Enquanto as descobertas em águas profundas e ultraprofundas concentram boa parte dos investimentos e dos holofotes do setor, os produtores independentes vêm ampliando sua participação em ativos onshore e offshore, construindo uma agenda própria de desafios e oportunidades. Segurança energética, revitalização de campos maduros, monetização de gás natural, modernização regulatória, inovação tecnológica e atração de investimentos estarão entre os temas em debate no Fórum de Produtores Independentes, que integra a programação paralela da ROG.e 2026, maior festival de energia do planeta, que será realizado entre 21 e 24 de setembro, no Riocentro, no Rio de Janeiro.
Com as operadoras independentes assumindo um papel crescente na revitalização de campos maduros, no desenvolvimento de ativos de menor porte e na abertura de novas oportunidades de investimento, o fórum se propõe a discutir os principais gargalos e perspectivas para o segmento. A agenda combina temas regulatórios, econômicos e tecnológicos que ajudam a entender como a indústria pretende aumentar sua competitividade nos próximos anos.
Entre os nomes confirmados na programação, estão Marcio Felix, Presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP); Luiz Felipe Coutinho, CEO da Origem Energia; José Firmo, CEO da PetroReconcavo; Artur Watt, Diretor-Geral da ANP; Caetano Machado, CEO da Madacaru Energia; Luiz Carvalho, CFO da Brava Energia; Claudio Nunes, Diretor Executivo de Exploração e Produção do IBP; Richard Gonzales; CEO da PetroVictory Energy; Márcio Couto, Superintendente de Pesquisa FGV Energia; Fabiola Forza; CEO da Eliona; Karine Fragoso, Gerente-Geral de Petróleo Gás Energias e Naval da FIRJAN SENAI; Heloisa Borges; Sylvie D’Apote, Fundadora e Sócia-Diretora da Prysma ET Consultores; e Amanda Diniz, CEO do Grupo Relimp.
Segurança energética e ambiente de negócios abrem a programação
A agenda começa olhando para um tema cada vez mais presente no debate energético global: a segurança energética. O painel de abertura vai olhar para a contribuição dos produtores independentes para a segurança energética e a diversidade da produção brasileira, além dos impactos sociais e econômicos da produção onshore e offshore.
Já o painel “Ambiente Regulatório Competitivo: Caminhos para Modernização” amplia o foco da discussão para o conjunto de regras que moldam a atividade de exploração e produção no país. O debate vai abordar as prioridades da Agenda Estratégica 2026 para modernizar o arcabouço regulatório brasileiro, com foco em previsibilidade, proporcionalidade e redução da burocracia para independentes.
Campos maduros, gás natural e novas fronteiras ganham destaque
O painel “Campos Maduros e Marginais: Desafios Regulatórios e Econômicos” volta suas atenções aos desafios para a manutenção da competitividade e da atratividade econômica dos campos maduros e marginais no Brasil, discutindo propostas de aperfeiçoamento regulatório, adequação de royalties e mecanismos de incentivos fiscais capazes de estimular novos investimentos e prolongar a vida útil desses ativos. Na sessão “Descomissionamento de Campos Maduros”, o tema ainda ganha um viés econômico ao abordar as garantias financeiras, investimentos e extensão do ciclo produtivo.
A agenda também aborda o potencial dos projetos de tie-back e do uso de infraestrutura ociosa, além da ligação entre o setor de gás natural e o mercado offshore, trazendo estratégias para monetização do insumo no onshore, incluindo integração com mercados regionais, biometano e geração local, ampliando o papel das independentes no setor de gás.
Outro destaque da programação é dedicado às novas fronteiras exploratórios, no painel “Exploração de Novas Fronteiras: Competitividade, Risco e Ambiente Regulatório”, que discutirá o papel das novas fronteiras exploratórias no contexto da produção brasileira de petróleo e gás, com foco na atratividade de investimentos, nos desafios regulatórios, ambientais e econômicos, e no papel das operadoras independentes. Serão abordadas experiências recentes, mecanismos de mitigação de risco, exigências regulatórias proporcionais e a importância da previsibilidade para viabilizar projetos exploratórios em áreas maduras, marginais e fronteiras emergentes.
Tecnologia e inovação
A transformação tecnológica do setor também terá espaço relevante na programação. O painel “Tecnologias de EOR: Caminhos para Maximizar o Fator de Recuperação em Campos Maduros” discutirá a viabilidade técnica e econômica, experiências práticas no Brasil, desafios regulatórios e ambientais, além da necessidade de marcos normativos que incentivem a adoção dessas tecnologias de forma segura e eficiente.
A agenda também contempla um debate sobre inovação, ESG e redução de emissões, trazendo soluções práticas para a integração de iniciativas de ESG em operações independentes, com foco em eficiência energética e redução de gases de efeito estufa (GEE) compatíveis com a economicidade dos ativos.
O tema da modernização operacional aparece ainda no painel “Digitalização Operacional e IA Aplicada ao Upstream: Eficiência, Redução de Custos e Decisão em Tempo Real”, que abordará como a digitalização, a automação e a inteligência artificial estão transformando as operações de exploração e produção, especialmente em campos maduros e de pequena escala. A discussão vai explorar casos práticos de aplicação de IA em manutenção preditiva, otimização de produção, integridade de ativos e tomada de decisão, além dos desafios de adoção tecnológica
Tributação e licenciamento ambiental
O ambiente de negócios para os produtores independentes também estará no centro das discussões. A programação reserva espaço para debater os impactos da reforma tributária sobre a cadeia de petróleo e gás, com destaque para os efeitos sobre projetos onshore, offshore, campos maduros e operações de menor escala. Serão discutidos os riscos à competitividade, cumulatividade tributária, neutralidade fiscal, efeitos sobre investimentos e a necessidade de ajustes infralegais para preservar a atratividade do setor.
A agenda inclui ainda um painel dedicado ao Repetro-Sped e ao Repetro Industrialização, com foco nos desafios operacionais, burocráticos e de interpretação normativa enfrentados pelas operadoras independentes e seus fornecedores. O debate também abordará oportunidades de otimização, industrialização local e competitividade da cadeia de suprimentos.
No campo regulatório, a discussão sobre a Nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental e a harmonização estadual na ótica do E&P deve reunir representantes da indústria para abordar mecanismos para tornar os processos de licenciamento mais céleres e proporcionais à realidade de campos maduros e marginais, mantendo rigor ambiental.
Confira a programação completa aqui.
