Geopolítica ganha protagonismo na ROG.e em um momento decisivo para a energia mundial

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Publicado em 8 de setembro de 2026

Em um contexto marcado por conflitos internacionais, reconfiguração das cadeias de suprimento e disputas por recursos estratégicos, a geopolítica surge como um dos temas centrais da ROG.e 2026, maior festival de energia do planeta, que será realizado entre 21 e 24 de setembro, no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Para o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, a edição deste ano acontece em um momento singular para a indústria de energia. Segundo ele, os conflitos em curso, especialmente no Oriente Médio, recolocaram a segurança energética e o posicionamento estratégico dos países no centro das discussões globais.

“O conflito no Oriente Médio afeta uma região que, até pouco tempo atrás, respondia por 25% da produção mundial de petróleo e por onde passa uma parcela significativa do abastecimento global. Trata-se de um fenômeno geopolítico sem precedentes recentes, cujos efeitos ainda estão sendo assimilados pelo mercado. Nesse contexto, uma das questões que certamente estarão presentes nos debates é como o Brasil pode e deve se posicionar diante desse novo cenário”, explica.

Refletindo esse cenário, a programação dedicará uma série de painéis aos temas, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater como as transformações no tabuleiro global estão impactando mercados, investimentos e a própria transição energética.

Um dos destaques da programação acontece na terça-feira, dia 22, no Congresso, com o painel “Geopolítica da Energia“, que reunirá Carlos Pascual, vice-presidente da S&P Global e ex-embaixador dos Estados Unidos no México e na Ucrânia, e Michal Meidan, chefe de pesquisa em Energia da China no Instituto de Estudos de Energia de Oxford. De acordo com Ardenghy, a proposta é trazer diferentes perspectivas sobre as transformações em curso.

“Talvez esses dois polos, a China de um lado e os Estados Unidos do outro, resumam o que podemos imaginar sobre o conflito e suas principais tendências. Se conseguirmos entender como o conflito está sendo percebido nesses dois países, entenderemos muito sobre como o Brasil pode se posicionar”, afirma o executivo.

Young Summit leva debate geopolítico para as novas gerações

O cenário geopolítico ainda será abordado na programação paralela, como no painel “Conflitos internacionais e o impacto na cadeia de suprimento de óleo base”, no dia 23, às 14h, na Arena de Lubrificantes.

No mesmo dia, a temática também ganhará espaço no Young Summit, com o painel “Geopolítica em chamas: como os conflitos globais redesenham a energia“, que reunirá Bruno Moreira Goulart, Especialista em Energia e Transição Energética pela COPPE/UFRJ e membro do Comitê Jovem do IBP; João Victor Marques, Pesquisador Sênior da FGV Energia; e Renata Albuquerque, Pesquisadora de pós-doutorado da UFRJ; para discutir os impactos dos conflitos globais na energia.

“O nosso intuito é mostrar como esses conflitos interagem com o comércio, a segurança energética e os mercados de petróleo, gás e energia O foco é entender os riscos, as oportunidades e como o Brasil está inserido nesse contexto”, explica Bruno.

Ele destaca que a geopolítica vem ganhando cada vez mais espaço entre os jovens profissionais. Segundo ele, o interesse crescente pelo tema se reflete nas demandas recebidas pelo próprio grupo para pautar o assunto em fóruns e eventos. Ele espera que os jovens levem da arena que a geopolítica, a ciência política e as relações internacionais estão inteiramente ligadas ao mercado de energia. Neste momento, mais ainda.

“As decisões técnicas nas empresas são cada vez mais impactadas por fatores geopolíticos. Para o jovem profissional que acompanhar o painel, a principal mensagem é que compreender geopolítica deixou de ser um diferencial e passou a ser uma competência essencial para apoiar a tomada de decisão.”

Para Bruno, o cenário atual também evidencia a crescente demanda por profissionais capazes de compreender os desdobramentos internacionais que impactam mercados complexos, como é o de energia. Segundo ele, além de seu papel econômico, a energia passou a ocupar um espaço cada vez mais estratégico nas discussões sobre segurança internacional, competitividade e cooperação entre países.

“Acredito que a principal mensagem que o jovem levará não apenas do Young Summit, mas de toda a ROG.e, é que geopolítica e energia nunca estiveram tão conectadas.”

Aproximação de países africanos

A discussão sobre geopolítica também aparece na crescente presença de representantes africanos na programação da ROG.e. O presidente de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, estará na cerimônia de abertura do evento, e o painel “As novas fronteiras exploratórias mundiais” reunirá Alcides Andrade, Administrador Executivo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Angola (ANPG); Carlos Garibaldi, Secretário Executivo da Arpel; Hon. Dr. John Abdulai Jinapor, Ministro de Energia e Transição Verde de Gana; para discutir o potencial de novas regiões produtoras de petróleo e gás e os impactos dessa expansão sobre o mercado global de energia.

Segundo Ardenghy, a ampliação da participação de países africanos no evento está diretamente relacionada às mudanças que vêm ocorrendo no cenário energético internacional e ao surgimento de novos polos fornecedores de energia.

“Quando fizemos o planejamento da ROG.e, ficamos pensando: qual país poderíamos chamar que fosse interessante do ponto de vista dessa nova geopolítica? E, sem dúvida, a África é um continente com muito a ser explorado no campo energético. Se a América do Sul ainda possui recursos importantes a serem explorados, a África tem um potencial ainda maior”.

Confira a programação completa aqui.

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