Bacia de Campos: onde o Brasil virou referência mundial em águas profundas

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ATUALIZADO EM agosto 2021

Além de abrigar os primeiros grandes campos offshore e poços produtores, a Bacia de Campos foi uma espécie de laboratório a céu aberto do setor. Foi a partir da atividade offshore nessa região que o país se transformou em referência mundial na exploração e produção em águas profundas.  Este é o segundo capítulo da nossa série sobre as bacias sedimentares brasileiras. Confira neste link, o conteúdo sobre a Bacia de Santos.

Bacia de Campos: onde o Brasil virou referência mundial em águas profundas
Com protagonismo da Petrobras e dos seus colaboradores, junto a parceiros e toda a cadeia de fornecedores, o país atingiu um novo patamar de produção e foi possível descobrir o pré-sal. É possível afirmar que as tecnologias desenvolvidas na Bacia de Campos mudaram os rumos da indústria mundial de petróleo e gás natural.

Com uma área de aproximadamente 100 mil quilômetros quadrados, a Bacia de Campos está localizada entre as imediações de Vitória (ES) até Arraial do Cabo, passando pelas cidades de Campo dos Goytacazes e Macaé, no litoral Norte do Rio de Janeiro. É a principal área sedimentar já explorada na costa brasileira.

A trajetória da Bacia de Campos teve início na década de 70, com base em levantamentos geológicos, sísmicos e gravimétricos que vinham sendo feitos desde 1968. Em 1974, foi descoberto o primeiro campo com volume comercial, o de Garoupa, seguido por Namorado e Enchova. Foi neste último que teve início da produção comercial nessa bacia, no ano de 1977.

As décadas de 80 e 90 deram início ao auge da Bacia de Campos, com a descoberta dos campos gigantes em águas profundas. O primeiro deles foi Albacora, seguido por Marlim, Roncador,  Barracuda, Jubarte e Cachalote, entre outros.

A produção da Bacia de Campos é feita em águas profundas (entre 400 e 1000 metros de profundidade) e ultraprofundas (a partir de mil metros de profundidade). Nos últimos anos, novas descobertas se sucederam nessa bacia, tanto na camada pré-sal quanto no pós-sal. Ela ainda abriga muitos dos grandes campos produtores do Brasil, como Roncador e Marlim. No seu auge, a Bacia de Campos respondeu por 80% da produção nacional.

Persistência
A trajetória da Bacia de Campos é marcada pela persistência, como relata trecho do livro “Petróleo e Estado”, editado pela ANP e disponível neste link. As primeiras investidas ocorreram em 1971. Foram perfurados sete poços – em profundidades de lâmina d’água pouco superiores a 60 metros – e todos foram considerados secos.

Em 1973, novas perfurações foram feitas. A esperança era encontrar óleo na chamada Formação Macaé, a 3.500 metros de profundidade. Mas, conta o livro, a perfuração era difícil e avançava lentamente. Por isso, parte da equipe queria interromper os trabalhos.

“A intenção de abandonar os trabalhos chegou ao conhecimento do chefe da Divisão de Exploração da Petrobras, Carlos Walter Marinho Campos. Ele estivera em viagem de observação no Oriente Médio, onde verificou que poços de até 5 mil metros de profundidade, em zonas calcárias, estavam produzindo grandes volumes de petróleo. Para se alcançar o calcário da Formação Macaé, faltavam 200 metros. A decisão da Petrobras foi continuar a perfuração até a profundidade prevista”, conta um trecho do livro. A persistência deu frutos, o poço chegou a 3.750 metros e a equipe achou o campo de Garoupa, uma coluna de petróleo de mais de 100 metros de espessura, com reservas em torno de 100 milhões de barris.

Responsável hoje por 27% da produção nacional de petróleo (abril/21, Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP), a Bacia de Campos ocupa um lugar de extrema relevância na história da indústria de óleo e gás no Brasil, e é onde a Petrobras investirá nos próximos cinco anos US$ 13 bilhões (Plano Estratégico Petrobras 2021-2025), com foco em ativos estratégicos para manter a sustentabilidade da nossa produção.