Conheça a Bacia de Santos, o berço do pré-sal

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ATUALIZADO EM junho 2021

O Além da Superfície dá início a uma série de conteúdos sobre as bacias sedimentares brasileiras. A nossa estreia é com a Bacia de Santos, o berço do pré-sal. Bacia Sedimentar é um tipo de estrutura geológica onde estão as rochas sedimentares que podem abrigar petróleo e/ou gás natural. São resultantes do acúmulo de sedimentos – que podem ser restos de animais ou plantas, por exemplo – por milhares de anos e em camadas. Dependendo das condições de temperatura e pressão, poderão dar origem a combustíveis fósseis, como óleo e gás.

Conheça a Bacia de Santos, o berço do pré-sal

Se a Bacia de Campos é uma das fundadoras da indústria brasileira de petróleo e gás natural, a Bacia de Santos é o marco do futuro e do presente deste setor.  O Além da Superfície te convida a conhecer a Bacia da Santos, o berço do pré-sal.

Maior bacia sedimentar offshore do país, em março de 2021, Santos ultrapassou pela primeira vez 70% da produção nacional, registrando sua maior participação relativa na série histórica e a sexta maior, até hoje, em valores absolutos. No total, foram produzidos 2,56 MMboe/d (milhões de barris de óleo equivalente por dia), sendo aproximadamente 1,993 MMbbl/d (milhão de barris por dia) de petróleo e 90 MMm3/d (milhões de metros cúbicos por dia) de gás natural.

A Bacia de Santos abriga os três maiores campos produtores de petróleo e gás natural do pré-sal – Tupi, Búzios e Sapinhoá- e tem 350 mil quilômetros quadrados (km2) de área, mais que o triplo da Bacia de Campos (cerca de 100 mil km2). A Bacia de Santos vai de Cabo Frio, no  Rio de Janeiro (RJ), até a altura de Florianópolis, em Santa Catarina (SC).

Início na década de 70 e marco com a descoberta do pré-sal

A história da exploração de petróleo em Santos teve início na década de 70, quando ocorreram as primeiras incursões exploratórias, que não tiverem sucesso. A primeira descoberta data de 1980 e ocorreu no campo de Merluza, seguida por registros de hidrocarbonetos em Tubarão, Coral, Estrela do Mar e Caravela.

A trajetória de Santos ganhou outro rumo a partir de 2006, quando a exploração do poço 1-BRSA-329D-RJS abriu perspectiva para o pré-sal, a nova fronteira exploratória que faz hoje o Brasil ser o 10º maior produtor mundial de petróleo.

Em maio de 2009, a Petrobras conseguiu a primeira evidência do valor dos reservatórios do pré-sal, por meio do FPSO BW Cidade de São Vicente, com a realização de um Teste de Longa Duração (TLD) na área, então denominada, de Tupi, hoje Campo de Tupi.

No ano seguinte, teve início o primeiro sistema de produção, o Piloto de Tupi. O Cidade São Vicente está instalado a cerca de 280 km da costa e em águas com profundidade de 2.200 metros.

Assim como ocorreu em Campos, onde o país desenvolveu a tecnologia de exploração em águas profundas, as descobertas do pré-sal em Santos também abriram desafios em diferentes frentes.

Era preciso vencer dificuldades logísticas (distância de 300 quilômetros da costa) e tecnológicas (lâmina d’água elevada, espessa camada de sal a ser perfurada – até 2km de espessura- e presença de contaminantes no petróleo). Atualmente, 11 são os campos produtores em Santos: Atlanta, Búzios, Tupi, Mero, Sul de Tupi, Tambaú-Uruguá, Baúna, Condensado de Merluza, Condensado Mexilhão, Lapa e Sapinhoá.

Em maio de 2020, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo novo no campo de Búzios, também em Santos. Foram identificados 208 m de reservatórios confirmando óleo com a mesma qualidade do que está sendo produzido atualmente no campo, que tem API médio (escala que mede a intensidade do petróleo) de 27,5%.