A transição energética e o futuro da indústria de óleo e gás

Transição Energética
ATUALIZADO EM agosto 2021

O mundo está atravessando um período de transição energética. É uma transformação na forma como se produz e consome energia. A mudança atual é a de uma matriz pautada em combustíveis de origem fóssil para um sistema estruturado também com energias renováveis. Como a indústria de óleo e gás natural está atravessando esta transformação? Quais os impactos no setor e como a tecnologia pode ajudar?

A transição energética e o futuro da indústria de óleo e gás

O Além da Superfície preparou um conteúdo especial para falar sobre a transição energética e o futuro da indústria de óleo e gás. Este é o primeiro capítulo de uma série que pretende abordar também desafios nas áreas de tecnologia, novas fontes de energia e aperfeiçoamentos em processos produtivos.

O que é a transição energética?
A transição energética é geralmente definida como uma mudança estrutural e de longo prazo nos sistemas de energia. Essas transições ocorreram em diversos momentos da história, como foi da lenha para o carvão e, depois, do carvão para o petróleo. A transição que estamos vivendo é motivada pela percepção dos impactos da ação humana sobre o clima.

Como o Brasil está posicionado no cenário mundial?
O Brasil tem uma matriz energética próxima do perfil desejado para o mundo. Hoje, 48% da matriz energética brasileira advém de fontes renováveis. O cenário mais agressivo de transição energética projetado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla inglês) prevê que as energias renováveis devem compor 30% da matriz mundial em 2030. Hoje, a média global é de 14%.

Além disso, o Brasil dispõe de abundante potencial de fontes renováveis a serem exploradas – como eólica e solar -, além do gás natural. O grande desafio é planejar o melhor uso dessas fontes de modo a garantir o maior benefício à sociedade.

Como a indústria de óleo e gás natural está enfrentando esta transição energética?
A transição energética é um realidade para a indústria de óleo e gás. Nos últimos anos, as companhias vêm adotando medidas com o objetivo de gerar maior densidade energética e produtividade, além de garantir a efetividade de suas políticas para baixo carbono e o desenvolvimento e aperfeiçoamento de ações e projetos de forma a atender às necessidades da sociedade e do meio ambiente.

Que investimentos estão sendo feitos?
O setor vem investindo na diversificação das fontes de energia e em ações de redução da intensidade das emissões e na compensação das emissões remanescentes, remoção de carbono.

No primeiro caso, o foco são as fontes solar e eólica. As duas respondem por cerca de 90% de todo o investimento global que as empresas do setor fizeram fora da cadeia de óleo e gás (O&G) em 2019. No primeiro trimestre de 2021, o percentual investido por empresas de O&G em energias renováveis deve quadruplicar superando a totalidade dos investimentos feitos pelo setor nessa modalidade ao longo de 2020 .

Sobre redução da intensidade de emissões e compensação das emissões remanescentes, o principal exemplo são os investimentos em captura e uso de CO2 (CCUS), bem como os mercados de carbono operando em diversas partes do mundo. Hoje, mais da metade da capacidade global de captura de CO2 vem de plantas de processamento de gás natural.

Essa remoção de CO2 do gás natural  ao mesmo tempo que ajuda a cumprir requisitos de mercado ou para sua liquefação na produção de GNL (Gás Natural Liquefeito), permite que CO2 possa ser reinjetado de volta ao reservatório, ajudando a manter a pressão interna e melhorando a recuperação de petróleo.

Além disso, a OGCI (Iniciativa Climática para Óleo e Gás), iniciativa de 12 entre as maiores companhias mundiais de O&G para acelerar a resposta da indústria às mudanças climáticas, lançou iniciativa para ajudar a reduzir custos, demonstrar o impacto de politicas habilitadoras e atrair investimentos comerciais de grande escala em CCUS. Objetivo é criar hubs de CCUS em regiões com diversas indústrias. Esses hubs irão sequestrar CO2 dessas unidades fabris e com o compartilhamento da infraestrutura de transporte e armazenamento vao gerar economia de escala.

Também são possíveis avanços no downstream?
Sim. As refinarias estão avançando na redução de intensidade de emissões, além de introduzindo gradativamente matérias-primas renováveis em seus processos.

Qual a importância do desenvolvimento tecnológico no enfrentamento das mudanças climáticas e na transição energética?
A Agência Internacional de Energia estima que mais de 50% das tecnologias necessárias para atingir emissões líquidas zero em 2050 ainda estão sendo desenvolvidas.  No Brasil, tem crescido os recursos destinados a PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação). Foram 14 bilhões entre 2010 e 2020. Para os próximos anos, a ANP projeta que os investimentos em PD&I cheguem a R$ 3 bilhões por ano, com pico de R$ 5 bilhões.

Em 2019, cerca de 80% dos gastos públicos com P&D em energia foram destinados a tecnologias de baixo carbono, como eficiência energética, CCUS, energias renováveis, hidrogênio e armazenamento.