Brasil é o 8º maior produtor de petróleo, mas dependência é moderada

Cenário Brasileiro
Publicado em 29 de agosto de 2025

Por Caio Mello, do Meio.

O Brasil está entre os dez maiores produtores e consumidores de petróleo do planeta, mas os combustíveis fósseis responderam por 16% das exportações brasileiras em 2021, longe de países em que tudo gira em torno da commodity, como a Nigéria, onde o petróleo soma 90% das vendas externas. Também é bem menos que o Catar ou a Noruega, que passam dos 70%. Nesse sentido, o Brasil se parece mais com os Estados Unidos, que têm 21% da pauta atrelada ao setor.

Esse meio-termo se repete no impacto sobre a economia. A fatia do petróleo no PIB brasileiro fica abaixo de 5%, muito distante da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes, em que a riqueza nacional depende diretamente do fluxo de óleo e gás. Mesmo assim, o setor é central para as contas públicas. Entre 2018 e 2022, governos no mundo inteiro ficaram com metade da receita da indústria, algo como 8,5 trilhões de dólares. Uma análise do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) aponta que o setor é responsável por uma arrecadação anual superior a R$ 325 bilhões para os cofres da União, estados e municípios, considerando os dados de 2023. 

Comparado aos pares, o Brasil não é completamente dependente do petróleo, mas também não pode prescindir dele de forma brusca. No contexto de transição energética, é importante que novos projetos sejam resilientes a preços baixos do barril de petróleo e aos preços altos do carbono.  O offshore brasileiro aparece na terceira colocação em termos de breakeven – quando as receitas da empresa se igualam às despesas totais – para novos projetos de petróleo e, ao mesmo tempo, em segundo em relação ao potencial de recursos.

Essa condição fez do país um player global. Hoje, a costa brasileira abriga centenas de plataformas e gasodutos submarinos que abastecem refinarias e garantem exportações constantes. Por outro lado, o país tem um dos menores custos do mundo para gerar energia eólica e solar. No caso do vento em terra, nenhum outro grande produtor consegue ser mais competitivo. A matriz elétrica brasileira, majoritariamente hídrica, já é bem mais renovável que a média global. Há biomassa disponível, há sol e vento em abundância. O que falta é o planejamento cuidadoso de longo prazo.

O caminho passa então por transformar o potencial natural em estratégia concreta. Isso envolve qualificar trabalhadores para novas funções, ajustar o modelo de arrecadação e manter os investimentos em renováveis, sem abrir mão da segurança energética. O equilíbrio entre esses eixos pode definir o papel do Brasil na transição global.